Por Michel Alcoforado
Existe um fenômeno que atrasa entregas, trava projetos e paralisa gestores dentro de instituições públicas em todo o Brasil. É sentido todos os dias por quem decide dentro de um órgão público. O nome que o próprio setor deu a ele é direto: apagão das canetas.
O que é o apagão das canetas
Quando deixamos de confiar no julgamento de alguém, a reação costuma ser criar mecanismos para restringi-lo: mais uma norma, mais uma aprovação, mais um formulário, mais alguém responsável por validar a decisão. O problema é que esse movimento pode produzir o efeito contrário. A tentativa de eliminar o risco cria ambientes em que decidir se torna arriscado demais, e as pessoas preferem não decidir. No setor público, essa dinâmica ganhou nome: apagão das canetas, quando decisões e projetos ficam represados porque assumir a responsabilidade parece mais perigoso do que permanecer imóvel.
O termo já circula em artigos jurídicos e estudos de controle interno, retrato de uma paralisia decisória que parte da literatura chama de direito administrativo do medo.
Regras não substituem confiança
Normas, auditorias e processos são fundamentais para qualquer instituição pública. O problema aparece quando toda tensão é resolvida com mais uma camada de controle, ou transferida para um terceiro assinar no lugar de alguém. Nesse ponto, o processo passa a ocupar o espaço das relações que deveriam sustentar a instituição. Integridade também é cultura. Depende de pessoas que interpretam situações, tomam decisões, discordam entre si e constroem confiança umas nas outras.
“Integridade não é um formulário. É uma escolha diária de pessoas que decidem confiar umas nas outras.”
— Alcoforado
A leitura de Michel Alcoforado sobre confiança e integridade no setor público
Foi exatamente sobre essa dimensão humana da confiança e da integridade que Michel Alcoforado construiu a palestra que leva para o setor público. Antropólogo dedicado a decifrar os códigos que moldam decisões, ele aplica ao ambiente institucional a mesma lente que usa para explicar comportamento e cultura em empresas e no consumo. O tema nasce da rotina de quem hoje ocupa um cargo de decisão dentro do serviço público e sente, na prática, o peso de decidir em um ambiente que pune mais o erro do que recompensa a coragem de agir.
Como resgatar a confiança institucional
Se a sua instituição também convive com esse travamento silencioso, o primeiro passo é resgatar a confiança, o julgamento e a responsabilidade como pilares da cultura institucional, antes de qualquer regra nova. A DMT Palestras leva esse debate direto para dentro de órgãos públicos, com uma abordagem prática sobre liderança, integridade e cultura de confiança para servidores e gestores públicos. Fale com a DMT Palestras e agende essa conversa para a sua instituição.
Sobre o autor
Michel Alcoforado é doutor em Antropologia do Consumo, autor dos best-sellers Coisa de Rico e De Tédio Ninguém Morre (mais de 100 mil exemplares vendidos cada), colunista do O Globo e da CBN, fundador da Consumoteca e apresentador do podcast É Tudo Culpa da Cultura, um dos mais ouvidos do Brasil. São mais de 800 apresentações no Brasil e no exterior. É palestrante representado pela DMT Palestras.
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