27 de fevereiro de 2015

Storytelling legitima liderança em empresas

Ferramenta de marketing usada para contar histórias marcantes, storytelling vem sendo utilizado no ambiente corporativo para engajar colaboradores

 

A ciência explica que, ao ouvir uma história, conseguimos encaixá-la dentro de nossas próprias ideias e experiências. Em palavras difíceis, ao ouvir uma narrativa emocionante, nosso cérebro libera o neurotransmissor dopamina, responsável por controlar nossas emoções, humor, aprendizado e memória.

Conseguir garantir esse envolvimento de um consumidor mergulhado em uma média de 10.500 palavras por dia fez do storytelling – ferramenta de marketing para contar histórias atraentes – um recurso frequentemente utilizado em 2014 para publicidade e construção conceitual de marcas (branding). O ano, inclusive, reservou cases memoráveis, como os das histórias que se revelaram mentirosas contadas para a construção das marcas Diletto e Do Bem e também a inesquecível despedida da Kombi, lançada em vídeo no último mês de abril.

Outro lado não tão polêmico do storytelling, no entanto, é o uso que vem sendo feito dele para melhorar a comunicação em ambientes corporativos e em treinamentos com objetivo de engajar colaboradores. Em 2014, a jornalista e facilitadora do curso Go,Writers, Cris Lisboa, ministrou seis módulos do seu curso focados para o storytelling em diferentes empresas que buscavam a ferramenta para reforçar e fortalecer seus valores, cultura organizacional e a conduta da empresa através de histórias de boas ações. “O storytelling vem sendo utilizado em toda comunicação. Para avisar sobre desligamentos, fusões, motivar mudanças de comportamento, enfim, tudo. Quando emocionamos a plateia, o engajamento é natural e espontâneo”, explica.

No livro “The story factor: inspiration, influence, and persuasion through the art of storytelling”, Annette Simmons defende que os treinamentos das empresas não deveriam usar regras escritas, porque elas ignoram completamente a mente de quem está na ação. Assim, se os profissionais fossem treinados com histórias, eles se tornariam mais criativos na hora de resolver problemas. Mais do que uma distração ou entretenimento, contar histórias no ambiente corporativo pode ser uma forma de legitimar uma liderança por meio da referência. Por serem muitas vezes baseadas na vida dos fundadores ou gestores das organizações, as histórias carregam valores, princípios éticos e fundamentos norteadores para o futuro da empresa tendo como referencial uma perspectiva bem sucedida. “Saber contar histórias relevantes é uma capacidade inata ao ser humano e começou a ser utilizada nas paredes das cavernas, quando os primeiros homens desenhavam histórias lineares”, recupera Cris Lisboa. Como recurso de engajamento de colaboradores, a prática vem sendo utilizada dentro do ambiente organizacional para gestão do conhecimento, cultura organizacional, comunicação, equipes, networks e comunidades e gestão de risco.

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