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DMT Palestras no Gramado Summit 2026: histórias, tendências e reflexões que marcaram o evento

capa gramado summti

A edição de 2026 do Gramado Summit reuniu mais de 350 palestrantes e 500 empresas em três dias, apostando que a centralidade das competências humanas seria o contraponto comercial à corrida da inteligência artificial.

Make It Human funcionou como tese de palco e também como filtro de curadoria: empatia, autenticidade, vulnerabilidade, escuta. Palavras que, mal trabalhadas, viram repertório vazio. Bem trabalhadas, sustentam uma hora de palco com plateia atenta. Foi isso que a gente acompanhou de perto, com a DMT levando catorze palestrantes do portfólio ao longo dos três dias.

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Maria Homem abriu a terça com “Um novo líder para um novo tempo”, uma reflexão sobre o que o cargo de liderança virou quando o controle deixou de ser possível. Logo depois, Emanuel Aragão fez exatamente a inversão que o tema do evento pedia em “Você não é uma IA e isso é uma boa notícia”. Marcus Buaiz fechou a tarde com a ideia de Life Long Performance, a tese de que a forma de performar precisa mudar ao longo da vida, porque o que funciona aos 25 esgota aos 45. Ele citou Agnes Callard no encerramento: ambição é o resultado que você quer alcançar, aspiração é a pessoa que você quer ser.

Na quarta, Danni Suzuki trouxe neurociência aplicada a comportamento corporativo em “Humanos do Futuro”. Amanda Graciano, no Palco Share, atacou um dos pontos mais incômodos do momento, o paradoxo de fazer marketing humano numa era de conteúdo infinito.

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A sexta foi o dia mais denso, e talvez o mais coerente com o mote. Grazi Mendes subiu ao palco às 9h30 e fez a palestra que vai ficar na memória de quem assistiu: futurista, executiva de tecnologia, diagnosticada com metástase óssea no mesmo período em que foi reconhecida como uma das 100 afrodescendentes mais influentes do mundo. A pergunta que ela deixou no ar foi: você está vivendo, ou só adiando a sua vida?


Michel Alcoforado leu a economia da atenção pela antropologia. Leila Ferreira trouxe sentido e leveza a partir de personagens reais que entrevistou para o livro homônimo à palestra, “O nome disto é vida”. José Felipe Carneiro, fundador da Wäls, falou de performance consciente, e Felipe Suhre fechou a tarde defendendo mais uma vez o humano contra a automação.

E aí veio a Ana Paula

Às 18h30, com o espaço completamente lotado, o nome de Ana Paula Renault tomou o telão. A apresentação foi marcada por uma entrega genuína e de forte identificação com a plateia, gerando reflexões que viralizaram em menos de uma hora, como: “permita-se ser mal visto, acho que tudo começa a partir daí”. O momento mais marcante foi uma reflexão sobre amadurecimento, um autoexame verdadeiro: “eu sou a mesma pessoa, entendi como me posicionar no mundo de uma forma diferente”, disse Renault.

A palestra respondeu perfeitamente ao grande desafio proposto pelo evento. A última conversa do Gramado Summit 2026 foi pautada pela transparência e pela coragem de falar abertamente sobre o custo da autenticidade. Foi um encerramento profundamente humano, que capturou a essência do mote do encontro e entregou a força e a verdade que o palco principal pedia.

O que esse Gramado deixa para quem trabalha com palco

Guardo duas observações que podem servir para quem programa eventos corporativos. A primeira é que a plateia mudou. O público abraça a imperfeição e rejeita roteiros polidos demais. Isso certamente afeta os critérios de curadoria e redireciona a forma de preparar o palestrante.

A segunda é que a vulnerabilidade se consolidou como uma competência de alta performance. Assumir o que não sabemos, expor nossas dúvidas e reconhecer limitações deixou de ser um sinal de fraqueza para se tornar o motor da conexão autêntica com o outro. Quem sabe atravessar esse terreno de forma segura, sem cair na armadilha da confissão performática, domina o espaço. Quem não entende essa fronteira cansa a audiência.

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Saímos dos pavilhões de Gramado com a sensação de que esta não buscou ser a edição mais glamourosa do encontro, mas entregou a maior coerência com o seu próprio tema. E talvez, justamente por isso, tenha sido uma das experiências que mais me tocaram acompanhando os bastidores até aqui.

 

Por Evelyn Mota, assistente de produção da DMT Palestras

 

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