O que os números do INSS já mostram
Ypê, Gerdau e Whirlpool levaram o tema das apostas para dentro de suas ações de saúde e educação financeira, com formatos que vão de oficinas educativas a programas de acolhimento para quem já adoeceu. A informação é da Folha de S.Paulo, que em agosto de 2026 mapeou como o adoecimento por bets chegou aos departamentos de RH brasileiros.
O movimento acompanha um dado novo. Em 2025, primeiro ano do mercado regulado de apostas, os afastamentos por ludopatia registrados pelo INSS subiram 59,8% frente a 2024, passando de 425 para 679 casos. O volume ainda é pequeno perto dos 4,5 milhões de afastamentos do período, e vale dizer isso com todas as letras: o que chama atenção não é o tamanho do número, é a inclinação da curva e o fato de o tema ser tão recente que quase não existe série histórica para comparar.
Na prática, o RH percebe antes da estatística. A ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) relata que os departamentos de gente são os primeiros a receber os depoimentos sobre dívidas de milhares de reais e crises familiares ligadas a perdas em apostas. A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) descreve um conjunto de sinais que se repete entre seus associados: pedidos constantes de adiantamento salarial, desatenção, quadros de depressão e crises de pânico, saídas frequentes do posto de trabalho para jogar.
Some-se a isso o que os gestores já observam no calendário. Faltas concentradas nos dias seguintes ao depósito do salário são hoje um dos indícios mais comentados nos times de RH.
Por que a ludopatia raramente aparece sozinha
Um ponto importante para quem desenha ações internas: a dependência de apostas, isolada, não costuma ser o que gera incapacidade para o trabalho. Estudo da Associação Europeia de Psiquiatria aponta que 82% dos pacientes com algum nível de transtorno do jogo apresentam outro transtorno mental associado. As combinações mais frequentes envolvem depressão, ansiedade e dependência de álcool ou outras substâncias, segundo especialistas em medicina do trabalho.
São esses quadros associados que aparecem primeiro nos indicadores da empresa, na forma de faltas e afastamentos mais longos. E há um efeito adicional que interessa diretamente à área de Saúde e Segurança: o trabalhador em crise fica mais desatento, comete erros fora do padrão e, dependendo da função, aumenta o risco de acidente.
Pela definição da OMS, o diagnóstico de ludopatia se dá quando o jogo passa a ocupar mais espaço do que áreas centrais da vida, entre elas as relações familiares e o trabalho. É por isso que o assunto deixou de ser uma questão de vida privada e entrou na pauta da saúde ocupacional.
Como as empresas estão levando o assunto para dentro
Os formatos em uso hoje são variados e nem sempre caros. A Ypê rodou no segundo semestre de 2025 um piloto de educação financeira e dedicou uma das rodas de conversa às apostas, tratando de impactos financeiros e emocionais, gatilhos de comportamento, sinais de perda de controle e caminhos de prevenção. Os participantes saíram com os canais de acolhimento na mão, do programa interno da companhia a redes externas.
No outro extremo de porte, a Abrasel produziu uma cartilha de orientação para associados que não têm caixa para montar programas robustos de saúde mental, com foco em como acolher o profissional e como conduzir o caso sem gerar passivo trabalhista.
Também há movimento no lado sindical: a Femaco, que representa trabalhadores de asseio e conservação, mantém desde maio de 2026 uma campanha permanente de conscientização com palestras para a categoria.
Se você trabalha com RH, Gente & Gestão ou Saúde Ocupacional e busca um especialista para levar esse assunto à sua empresa, conheça abaixo seis nomes do time da DMT Palestras que abordam as bets por ângulos complementares, da educação financeira à neurociência do comportamento.
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Renata Muraro
Bets: quando a falta de planejamento vira porta de entrada para o vício
Com bagagem de mais de 20 anos no mercado financeiro Renata mostra como a ausência de educação financeira estrutural deixa o colaborador vulnerável à promessa de ganho fácil das apostas. A palestra traduz conceitos complexos de forma didática, ensinando o time a substituir o “atalho” das bets por hábitos concretos de planejamento, reserva e decisão financeira consciente.
Indicada para empresas que querem unir o tema bets a um programa mais amplo de educação financeira e saúde do orçamento do colaborador.
Renata MuraroVer perfil completoVer perfil 02
Lícia Assbu
Bets: o alarme silencioso na sua empresa
Lícia Assbu traz uma abordagem baseada em neurociência do comportamento para explicar como o vício em apostas nasce de vulnerabilidades emocionais que, muitas vezes, já estavam visíveis no ambiente de trabalho antes de se tornarem uma crise.
Na palestra, ela apresenta ferramentas práticas para que lideranças e times de RH consigam:
- Reconhecer sinais precoces de adoecimento por bets;
- Agir com empatia, sem julgamento e sem reforçar o estigma;
- Construir um ambiente de confiança e segurança psicológica onde o colaborador se sinta seguro para pedir ajuda antes que o problema avance.
Indicada para: empresas que querem estruturar uma cultura de segurança psicológica e capacitar lideranças para identificação precoce.
Lícia AssbuVer perfil completoVer perfil 03
Emanuel Aragão
O que a bet promete que a vida não deu
Com uma linguagem provocadora e reflexiva, Emanuel Aragão investiga a raiz emocional por trás do vício em apostas: o vazio afetivo que a promessa de ganho fácil vem preencher — a busca por recompensa, pertencimento e alívio da autocobrança constante.
A palestra convida a empresa a olhar para dentro: por que trabalhadores exaustos e pressionados se tornam presas fáceis das bets, e como a própria cultura de desempenho da organização pode, sem querer, alimentar esse vazio.
Indicada para: empresas que buscam uma palestra mais reflexiva, ideal para eventos de saúde mental, encerramento de ciclo ou jornadas de cultura organizacional.
Emanuel AragãoVer perfil completoVer perfil 04
Daniel Hosken
O cérebro viciado: neurociência das apostas e da produtividade
Daniel Hosken traz uma palestra objetiva e embasada em neurociência aplicada, explicando o mecanismo de recompensa variável que torna as bets tão viciantes quanto qualquer substância — e o custo direto disso na tomada de decisão, no foco e na performance das equipes.
Com dados e ferramentas práticas, a palestra ajuda líderes a identificar o problema antes que ele se transforme em prejuízo real para a operação.
Indicada para: empresas que priorizam uma abordagem técnica e orientada a dados, com foco direto em produtividade e liderança.
Daniel HoskenVer perfil completoVer perfil 05
Andrei Moreira
Vício: o novo risco corporativo
Andrei Moreira conecta o adoecimento por bets à saúde emocional integral do colaborador, mostrando como dívida, ansiedade e queda de produtividade caminham juntas — e raramente aparecem isoladas.
A palestra propõe estratégias práticas de bem-estar e prevenção que protegem tanto a saúde do time quanto o resultado da empresa, indo do diagnóstico do problema até a construção de uma cultura de cuidado sustentável.
Indicada para: empresas que já têm ou querem estruturar um programa de saúde e bem-estar corporativo, com uma visão médica e integrada do problema.
Andrei MoreiraVer perfil completoVer perfil 06
Erasmo Vieira
O preço invisível das bets: dinheiro, ansiedade e qualidade de vida
Com mais de 15 anos de estrada e centenas de milhares de pessoas impactadas, Erasmo Vieira conecta o vício em apostas ao padrão mais amplo de comportamento financeiro impulsivo — a busca por status, alívio imediato e fuga do estresse através do dinheiro. A palestra mostra, de forma prática e acessível, como o endividamento por bets compromete não só o orçamento, mas a qualidade de vida e a saúde emocional do colaborador, trazendo caminhos concretos de reorganização financeira.
Indicada para: empresas que buscam uma abordagem prática e motivacional, ideal para SIPATs e ações de qualidade de vida com forte apelo comportamental.
Erasmo VieiraVer perfil completoVer perfil 07
Thiago Godoy
O jogo perigoso: o impacto das apostas online na vida, na mente e no bolso
Mestre pela FGV, fundador da Papai Financeiro, apresentador da CNN e autor dos best-sellers Emoções financeiras e Dinheiro em família, Thiago Godoy estuda a influência das emoções e dos comportamentos nas decisões financeiras.
Com dados, histórias reais e estratégias práticas, ele mostra como o vício em jogos pode comprometer a saúde mental, o equilíbrio financeiro e os relacionamentos. A abordagem passa pelo ciclo do vício, pelo preço da diversão, pelos sinais de alerta e pelos caminhos de prevenção e orientação para famílias e empresas.
Indicada para: empresas que querem tratar a prevenção ao vício em apostas conectando saúde financeira, saúde mental e comportamento, com uma abordagem acessível e orientada por dados.
Thiago GodoyVer perfil completoVer perfil Onde o colaborador pode buscar ajuda
Uma palestra abre o tema. O passo seguinte é ter para onde encaminhar. Vale incluir estes canais no material de apoio distribuído ao time:
Teleatendimento do SUS. O Ministério da Saúde lançou em março de 2026 um programa de telemedicina voltado exclusivamente a pessoas com problemas relacionados a apostas, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. São ciclos de consultas por vídeo, de cerca de 45 minutos, com psicólogos e terapeutas. A inscrição é feita pelo aplicativo Meu SUS Digital. A capacidade é de 600 atendimentos por mês.
Jogadores Anônimos do Brasil. Encontros de compartilhamento de experiência, com reuniões semanais regulares em várias cidades. jogadoresanonimos.com.br
PRO-AMJO. Serviço do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP dedicado ao estudo e tratamento do transtorno do jogo.
Rede pública local. UBS e Caps próximos da residência do colaborador fazem o encaminhamento psicológico.
CVV. Apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas, pelo telefone 188.
Perguntas frequentes sobre palestra sobre bets para empresas
Por que contratar uma palestra sobre bets para minha empresa?
Porque o adoecimento por apostas aparece em indicadores que o RH já acompanha: absenteísmo, produtividade, pedidos de adiantamento salarial. A palestra é o primeiro passo para abrir o tema, reduzir o estigma e mostrar aos colaboradores que existe apoio disponível.
Quais sinais indicam adoecimento por bets na equipe?
Os mais relatados por entidades patronais e times de RH são pedidos recorrentes de adiantamento salarial, faltas concentradas nos dias seguintes ao pagamento, desatenção e erros fora do padrão de desempenho da pessoa, saídas frequentes do posto de trabalho e sinais de ansiedade ou depressão. Nenhum deles, isolado, fecha diagnóstico. O conjunto é que indica que vale abrir uma conversa de acolhimento.
Qual a diferença entre os palestrantes que falam sobre bets?
Cada especialista entra pelo assunto por um caminho: educação financeira, neurociência do comportamento, filosofia e afetos, produtividade e liderança, ou saúde emocional e bem-estar corporativo. A escolha depende do objetivo da ação interna e do público que vai assistir.
A palestra sobre bets pode fazer parte de um programa de saúde mental?
Sim. Muitas empresas usam a palestra como ponto de partida para depois estruturar canais de acolhimento, encaminhamento e acompanhamento contínuo do time. Foi assim que companhias como a Ypê inseriram o tema dentro de um programa mais amplo de educação financeira e bem-estar.
E quando o caso já virou uma questão de gestão de pessoas?
A orientação de entidades como a ABRH é encaminhar para avaliação médica e tratamento, com afastamento pelo INSS quando indicado. O tema vem sendo discutido no TST, que avalia tratar a ludopatia de forma equivalente à dependência química em decisões sobre justa causa. Casos concretos dependem de análise jurídica individual, e vale envolver o time trabalhista da empresa.
Quer contratar uma palestra sobre bets para sua empresa?
A DMT Palestras conecta sua empresa aos especialistas certos para tratar o adoecimento por bets com profundidade e sensibilidade. Solicite um orçamento e escolha a abordagem que faz sentido para o momento do seu time.
Dados e contexto de mercado desta página têm como base a reportagem “Adoecimento por bets afeta empresas com faltas, funcionários endividados e pedidos de adiantamento”, publicada pela Folha de S.Paulo em 1º de agosto de 2026. Acessar link.




